“A relação do Discípulo com o Discipulador“
1 – O FIM DO INDIVIDUALISMO (I Co.16.16/ Ef.5.21): A primeira atitude que se espera de um discípulo é que ele abdique do individualismo e da decisão de não caminhar só em circunstância alguma. Por um lado, isso vai ser agradável, pois vai supri-Io. Era solitário, agora terá alguém para caminhar consigo, alguém para amá-Io, que vai acolhê-Io, receber suas lágrimas, entendê-Io e ouvi-Io. Esse é o aspecto positivo.
Mas abrir mão de uma completa independência também implica em perda. Quando começamos a abrir mão da independência, sentimos a dor de dividir a privacidade com o discipulador. Esse é o primeiro custo. O diabo fatalmente tentará superdimensionar esse preço, de maneira que as pessoas o vejam como pesadíssimo. Alguém poderá dizer que isto não passa de manipulação. Realmente, em qualquer outro nível de relacionamento não caberia tal vínculo, mas no discipulado sim. É isso que vemos na prática de vida dos discípulos mostrados pela Bíblia, exceto na vida de Geazi, discípulo de Eliseu, que se meteu a caminhar sozinho debaixo de uma aliança de discipulado e se deu terrivelmente mal. Vemos, no entanto, um relacionamento aberto na vida dos discípulos do Senhor, na igreja primitiva, e nos discípulos de Paulo.
2 – SUBMISSÃO AO DISCIPULADOR (Hb. 13.17): A segunda atitude que é pedida a um discípulo é o posicionamento, a decisão de submeter-se ao discipulador. Submissão e uma questão de coração, mas obediência e uma questão de conduta. Existem três níveis de palavra que um discipulador pode falar ao seu discípulo:
O primeiro nível e quando ele fala a Palavra de Deus. Evidentemente, diante da Palavra de Deus a sua submissão deve ser completa e absoluta.
O segundo nível de palavra e quando o discipulador dá um conselho a seu discípulo. Mesmo sendo um bom conselho ou um conselho realmente sensato, neste caso a submissão é relativa. Um discipulador não pode obrigar o seu discípulo a seguir cegamente seus conselhos. Porém, é preciso dizer que aquele discípulo que nunca aceita um conselho do seu discipulador é possivelmente orgulhoso e auto-suficiente. Apesar de não ser necessariamente rebelde, é resistente ao ensino e dificilmente pode ser edificado.
O terceiro tipo de palavra do discipulador são as suas opiniões. Não é necessário nenhum tipo de submissão as opiniões e gostos pessoais do discipulador. O discípulo pode ouvir ou ignorar tal opinião completamente. Evidentemente, um bom discípulo está sempre interessado no conselho do seu discipulador. Em muitas situações nas quais a minha opinião se chocar com a do meu discipulador, a minha decisão é sempre por ouvir a voz dele. Lembre-se que Deus honra a liderança constituída por Ele. “Certamente o Senhor não fará nada sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am. 4:7).
Não existe melhor forma de Deus tratar conosco como através da liderança constituída. Não existe outro canal melhor. Obediência não implica em concordância interior, porém em submissão; num relacionamento de discipulado, indica que eu posso até discordar interiormente, mas devo me submeter. Isso é algo que acontece no nível do espírito.
Precisamos entender que se eu me vinculo a alguém, em nível de discipulado, é por reconhecê-Io como servo de Deus, alguém que tem vida de Deus, que tem as qualificações necessárias para ser um discipulador. Deus certamente vai falar com ele coisas a meu respeito para a minha edificação. É preciso estar atento a isso e ser submisso.
O pecado da insubmissão, quando em meu coração rejeito a autoridade de alguém levantado por Deus, é comparado ao da feitiçaria por sua gravidade e semelhança. O pecado da rebeldia é comparado ao da feitiçaria porque ambos atraem demônios (I Sm 15:23).
3 – ANDAR NA LUZ (I Jo.5.7): A terceira atitude é uma decisão por andar na luz. O que é isso? Andar na luz diz respeito a expor todas as áreas da minha vida, todos os campos da minha vida ao conhecimento do meu discipulador: vida financeira, relacionamento conjugal, relacionamento com a liderança da igreja, relacionamentos no meu serviço, a minha vida íntima, os meus pensamentos, as áreas nas quais eu tenho sido atacado, se houver pecado, por quais tenho sido vencido, se o passado ainda exerce alguma influência, que tipo de influência.
Se o meu emocional ainda clama em alguma área, se existe alguma frustração, temores, alguma acusação do diabo, então, preciso me abrir. Em um vínculo de discipulado, devo me sujeitar a abrir mão de me esquivar, de esconder-me do meu discipulador e fugir de um confronto. O terceiro custo e minha decisão voluntária de me abrir e compartilhar meu interior, andando completamente na luz.
4 – ENTRAR NO PADRÃO DO DISCIPULADOR (Pv. 12.15)): É claro que esse padrão não é fruto de alguma preferência ou opinião pessoal, mas é aquele apontado pela Palavra de Deus. Discipulado é um caminho de crescimento, não é um entretenimento, uma distração interessante, uma programação agradável a ser cumprida periodicamente com o meu discipulador, uma ocasião para se conversar, bater um papinho, ouvir um bocado de coisas “interessantes”. O discipulado tem o objetivo de cumprir uma trajetória de crescimento. E necessário que o discipulador saiba discernir qual o nível de compromisso a ser exigido de cada pessoa. Esse equilíbrio é necessário para que não se cobre de um novo convertido o padrão de um pastor, nem se contente em dar para aquele que aspira a ser um pastor um padrão de discipulado de novo convertido. No primeiro caso, o resultado é frustração, e no segundo, uma vida relaxada.
O padrão exigido pelo meu discipulador é um forte desafio. O discipulador vai exigir o abandono de uma posição comodista, na qual enxergo o que Deus quer de mim, mas não me disponho a ir e perseguir a Palavra de Deus que veio sobre mim. Ele vai me empurrar, vai me estimular, vai me impelir a conquistar tudo o que Deus tem para mim.
Por que isso é custo? Porque é desconfortável ser pressionado. Sozinho poderia estar rendendo 30%. Com um discipulador, eu renderei 100%. Assim, todo o meu potencial de resposta se manifestará num vínculo de discipulado, no qual me será cobrado um padrão mais alto do que o meu próprio, fazendo-me enxergar, com ajuda do meu discipulador, muito mais longe do que sozinho poderia conseguir.
5 – CAMINHAR JUNTO COM O DISCIPULADOR (II Re. 2.22): O discípulo é um seguidor. Não é possível ver os frutos de um vínculo de discipulado sem estarmos caminhando próximos um do outro. Nesse sentido, o discípulo precisa ter um privilégio que os demais irmãos não tem. O privilégio de vir a hora que quiser, ter livre acesso a casa do discipulador, ir e vir com o discipulador, acompanhá-lo em tudo o que for conveniente e espontâneo. Ás vezes, só por proximidade e amizade. Fazer refeições juntos, praticar esportes, lavar o carro e a louça do almoço, além de, evidentemente, orar, jejuar, praticar as demais disciplinas espirituais, acompanhar na prática da ministração da Palavra, no evangelismo, na oração por enfermos, etc. Este estar junto deve ser uma decisão do discípulo. Essa prática é uma das melhores para checarmos quem, de fato, é discípulo.
Infelizmente muitos discípulos mimados supõem que é função do discipulador estar constantemente procurando-os. Nunca vão atrás do discipulador certamente porque isso Ihes parece algo humilhante. Por causa do ego, imaginam que é uma grande honra para alguém tê-los como discípulos. Embora não digam abertamente, a sua atitude passiva certamente nos mostra isso. Procurar o discipulador para estar junto, demonstra que de fato alguém é discípulo.
6 – ANDAR EM ALIANÇA E FIDELIDADE (Mt.26.23): É certo que todo discipulador deve estar disposto a perder na relação. O discipulador não procura discípulos para ter algum ganho pessoal ou alguma vantagem. O verdadeiro discipulado implica em desconforto de abrir mão da própria comodidade para servir o Reino na formação de crentes maduros. É impossível entrar na prática do discipulado sem uma alta dose de revelação e decisão pelo princípio da cruz.
Há discípulos que não tem entendimento de que a fidelidade no compromisso é um dos principais traços de caráter que se deve ter na obra de Deus. Pessoas sem esse traço no caráter são volúveis, vivem de festa e do mesmo jeito tempestuoso que chegam se vão. Entram na nossa intimidade, usam-na e traem o compromisso com a mesma facilidade com que estabeleceram o vínculo. Desqualificam-se a si mesmas diante da igreja e de Deus, são crentes-libélulas, cada dia estão num lugar diferente. Esse é o traço que caracterizou Judas. Quando, finalmente Jesus mostrou suas fraquezas, na ocasião do lava-pés, ele o abandonou quebrando o vínculo. Os demais discípulos não quebraram a aliança, ele sim.
A trajetória normal de todo vínculo de discipulado e um dar-se a conhecer progressivo ao discipulador. Se antes havia idealização, agora o padrão é a realidade. Discípulos carnais como Judas, que desejam ter como discipuladores super-homens, quando percebem os primeiros traços de humanidade quebram os vínculos e abandonam a relação, ignorando que é, nesse exato momento, em que se dá a hora crucial do vínculo. É nesse contexto que mostramos em nosso caráter a fidelidade ou a carnalidade. E fácil servir aos fortes, mas é renúncia e maturidade tomar a mão de uma pessoa maior que eu, que se despojou da sua posição, conforto e segurança para fazer-se um igual e honrá-Ia, escolhendo ser o menor. Um discípulo deve ser fiel e tomar ao discipulador que se humilha. Este é o espírito da cruz.
7 – SERVIR O DISCIPULADOR NAS COISAS NATURAIS (II Re.3.11/ Gl.16.6): No Velho Testamento os discípulos dos profetas eram chamados de servos dos profetas. A atitude básica de todo discípulo é a humildade, e se desejamos entrar num vínculo profundo de discipulado, precisamos ter uma decisão firme de servir o discipulador em todas as coisas com alegria. Servir e estar a disposição quanto ao que sou, tenho e posso fazer. No entanto, uma coisa e falar que se está à disposição, a outra, é estar à espreita para, quando necessário, servir sem ser mandado ou requisitado. Essa atitude só tem valor se for voluntária.
GUIA DO COMPARTILHAMENTO
Você já abriu mão de uma vida individualista?
Você é claro com seu discipulador, ele conhece suas motivações?
Você caminha junto com seu discipulador?
Sua aliança para com o seu discipulador já foi testada? Você foi aprovado ou reprovado?











